Por Vanderlei Munhoz
Ser livre!
Liberdade!
Do Latim: vem de libertas, significando a condição de ser livre, de poder fazer as próprias escolhas.
E quando essas escolhas não podem ser feitas?
Existem muitos antônimos para liberdade, porém neste contexto, entre os que mais se enquadram, temos: proibição, restrição, interdição, limitação, constrangimento.
E quando esta perda de liberdade é imposta a uma criança, um recém nascido? Estes não fazem suas próprias escolhas. Elas são feitas geralmente por seus pais. E quando estes são proibidos, encontram restrições e inúmeras limitações a ponto de sofrerem muitos constrangimentos? Triste, não?
E quando nesta condição começa a acontecer o isolamento social, principalmente por pessoas próximas, familiares, pessoas amadas? Mais triste ainda, porque o isolamento vem acompanhado de adjetivos que doem: frescos, metidos, enjoados!
Esta é a realidade de pais/famílias com diagnóstico de alergias e intolerâncias alimentares (diagnóstico difícil e muitas vezes tardio), e ainda em outras vezes, inadmitido pelo pai, o que aumenta o sofrimento e a luta da mãe e do filho ou filha diagnosticado. Esta foi nossa realidade!
Passamos por tudo isso, além das inúmeras noites de sono perdidas, das incontáveis corridas aos prontos-atendimento, dos tantos diagnósticos errados, seguidos de medicações absurdamente caras, exames, internações e lágrimas que beiravam o desespero, só contido pela Fé e pelo clamor.
Em meio a tudo isso, foram surgindo anjos que trouxeram acolhimento, diagnóstico correto e orientações valiosíssimas. Surgia esperança em meio a uma absoluta falta de liberdade. Sem liberdade para alimentar, significa também falta de liberdade para sair, passear, viajar, socializar, etc.
A Fé e o clamor nos mostraram resilientes: era preciso ajudar outras famílias que passavam pela mesma dor e que alimentavam o sonho de livre alimentar. Nascia então o Livre Alimentar, inicialmente como um boletim informativo através do Rádio, depois um quadro dentro de um programa, até se tornar um programa de Rádio. Depois vieram as redes sociais, o site, a faculdade de Nutrição, os congressos, os encontros e as inúmeras famílias alcançadas, que é impossível mensurar.
Em meio a alegria de compartilhar informações, conhecimento, ajuda mútua e muita solidariedade, veio também a benção/o milagre: nosso menino, já quase rapaz, segundo a ciência, adquiriu a tão sonhada tolerância ao alimento alergênico, no caso dele, a proteína do leite de vaca, mas pelos olhos da fé, recebeu a cura e pôde realizar o sonho de livre alimentar, com liberdade, sem proibição, sem restrição, sem interdição, sem limitação, sem constrangimentos e sem adjetivos. Glórias a Deus!

E agora?
Agora o Livre Alimentar segue mais do que nunca sendo uma missão com o propósito para o qual nasceu: SER ponte:
Levar informação e conhecimento sobre saúde e nutrição, acolhimento, abraço, apoio, incentivo e Fé, para que toda família que receber o diagnóstico possa crer e alimentar o desejo de um dia, Livre Alimentar.
Vanderlei Munhoz – radialista, esposo e pai.