logo

Morador de Mato Grosso morre após reação alérgica grave a camarão e caso reacende debate sobre acesso à adrenalina autoinjetável no Brasil


A morte de um homem por reação alérgica grave, após ingerir crustáceos, voltou a chamar atenção para os riscos das alergias alimentares graves e para a falta de acesso à adrenalina autoinjetável no Brasil.

Por Redação Livre Alimentar

Morador de Mato Grosso morre após reação alérgica grave a camarão e caso reacende debate sobre acesso à adrenalina autoinjetável no Brasil

Eryvelton Gomes, que residia em Várzea Grande-MT, morreu por reação alérgica grave após consumir caranguejo em viagem a Maceió-AL. Segundo informações de familiares, ele sabia ser alérgico a camarão, mas não sabia que caranguejo também podia lhe fazer mal. Afinal como explicou a médica alergista Dra. Ariana Yang, "o sistema imunológico reconhece as proteínas e não o nome do alimento."

Casos como esse, reforçam o alerta de especialistas: a anafilaxia, reação alérgica sistêmica e potencialmente fatal, pode evoluir em minutos e exige tratamento imediato.

O que é anafilaxia

Anafilaxia é uma reação alérgica sistêmica, grave e rápida desencadeada geralmente por uma substância, chamada alérgeno, e se caracteriza pela diminuição da pressão arterial, taquicardia e distúrbios gerais da circulação sanguínea, acompanhada ou não de edema da glote e urticária. A reação anafilática pode ser provocada por quantidades minúsculas da substância alergênica. O tipo mais grave de anafilaxia — o choque anafilático — pode ocasionar a morte caso não seja tratado. Fonte: anafilaxiabrasil.com.br

Adrenalina salva vidas

Especialistas são unânimes em afirmar que o tratamento de primeira linha para anafilaxia é a adrenalina intramuscular aplicada imediatamente. Antialérgicos e corticoides não substituem a adrenalina em situações graves.

Em diversos países, pessoas diagnosticadas com risco de anafilaxia carregam consigo dispositivos de adrenalina autoinjetável, popularmente conhecidos como “canetas de adrenalina”, que permitem aplicação rápida ainda nos primeiros minutos da reação. O uso precoce reduz significativamente o risco de morte.

Situação no Brasil

No Brasil, o acesso ao dispositivo ainda é limitado quando comparado a países onde ele já faz parte da rotina de atendimento e prevenção. Durante anos, entidades médicas e associações de pacientes têm defendido a ampliação da disponibilidade do medicamento, tanto para uso domiciliar quanto em escolas, aeroportos e locais públicos de grande circulação.

Projeto de lei em tramitação

Em julho de 2025, a Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que prevê a inclusão da adrenalina autoinjetável na lista de medicamentos fornecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O texto também permite a disponibilização em locais com grande circulação diária de pessoas, como aeroportos, rodoviárias, estações, centros comerciais e instituições de ensino.

A proposta ainda precisa passar por outras comissões da Câmara, além de votação no Senado, antes de se tornar lei.

Informação pode salvar vidas

Para médicos alergistas, muitos desfechos fatais poderiam ser evitados com três medidas principais:

  • diagnóstico correto da alergia;
  • plano de ação individualizado;
  • orientação nutricional e leitura cuidadosa de rótulos;
  • acesso rápido à adrenalina em emergências.

Também é fundamental que familiares, escolas, restaurantes e equipes de trabalho saibam reconhecer sinais iniciais de anafilaxia e acionem socorro imediatamente.

Alerta à população

Casos de morte por alergia alimentar são raros, mas devastadores e, em muitos casos, evitáveis. A repercussão de episódios envolvendo camarão e outros alérgenos reforça a necessidade de campanhas públicas de conscientização, capacitação de profissionais e avanço na legislação para garantir acesso ao dispositivo que pode representar a diferença entre a vida e a morte.

Ações de conscientização

A terceira semana de maio foi instituída como a Semana Nacional de Conscientização sobre Alergia Alimentar e várias ações são realizadas simultaneamente por todo o Brasil. Procure se informar sobre ações no seu estado e/ou cidade e ajude salvar vidas!