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De médica a paciente: uma reflexão sobre escuta empática

 

Ontem senti na pele o que ouço de muitos pacientes sobre suas experiências prévias em atendimentos médicos.
Eu adoeci. Tive uma crise hipertensiva. Me senti muito mal. Sou médica, eu sabia dos riscos da pressão muito alta acompanhada de sintomas. Fui ao PS. Senti a angústia da espera enquanto as “possibilidades” rondavam meus pensamentos. Não demorou muito, fui chamada. Mas tempo é relativo. Os 40 minutos na sala de espera me pareceram rápidos perto do minuto que demorou para o médico tirar os olhos do próprio celular e me dirigir a palavra, a palavra!… pois o olhar nos olhos não veio até o fim do atendimento …. esse minuto sim demorou! A porta estava aberta, mas eu não sabia se entrava, se esperava, se deveria me sentar ou não… sentei, respondi as perguntas, todas técnicas e importantes para o diagnóstico, recebi o pedido dos exames de urgência, os resultados saíram, a pressão abaixou, eu melhorei. O que faltou? Faltou o principal, a escuta, cheguei com dúvidas, sai com dúvidas. Não faltou tempo, faltou olhar! Tecnicamente eu estava bem, mas isso não é tudo!

Exponho esse momento de fragilidade, porque o acho educativo, ele reforça um aprendizado que tive no passado e me esforço em compartilhar com todos que ensino.

❤️A escuta empática é uma habilidade essencial na relação médico-paciente, que envolve mais do que apenas ouvir as palavras do paciente. É um processo ativo de compreensão e reconhecimento das emoções, preocupações e necessidades do paciente. Isso é possível independe do tempo, ou da urgência, é intencional, é humano.

Ao praticar a escuta empática, o médico se concentra não apenas nas informações médicas fornecidas pelo paciente, mas também nas suas expressões emocionais e não verbais. Isso inclui prestar atenção ao tom de voz, expressões faciais, linguagem corporal e sinais de desconforto emocional.

A escuta requer empatia genuína.

Ontem, eu não sei se fui ouvida, meu diagnóstico e tratamento podem até ter sido corretos, mas se uma pessoa não se sente ouvida, ficará difícil dar seguimento ao plano de tratamento. Medicina é mais do que técnica! E as habilidades humanas, também podem ser treinadas e desenvolvidas.

Dra. Ariana Yang
Alergista e Imunologista
Diretora do Instituto de Alergia Campinas – IAC