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Ausência de estudos inviabiliza a comercialização de dispositivo de adrenalina no Brasil

Durante entrevista concedida a comunicadora em inclusão sócio alimentar, Leda Alves, também apresentadora do programa Livre Alimentar na rádio Metrópole fm de Cuiabá – MT, a alergista Dra. Ariana Yang explicou que a não comercialização do dispositivo de adrenalina auto injetável no Brasil, que é utilizado para reações alérgicas graves, se deve a ausência de estudos que atendam exigências técnicas pertinentes ao medicamento.

No dia 21 de março, Leda Alves, entrevistou no programa Livre Alimentar, que é apresentado semanalmente às quintas-feiras na rádio Metrópole fm de Cuiabá – MT, a médica alergista e imunologista, Dra. Ariana Yang, que é diretora do ICA – Instituto de Alergia Campinas em Campinas – SP.

O tema do programa foi “Dieta não é mais o único tratamento para alergia alimentar” e dentro dessa temática, muitos assuntos foram abordados, já que a Dra. Ariana Yang é especialista em alergia alimentar e recentemente esteve em um congresso nos Estados Unidos, de onde trouxe muitas novidades e compartilhou algumas delas durante o programa.

 

Para a médica, existe uma antiga era e uma nova era em alergia alimentar, sendo que na antiga era, segundo ela, existia uma passividade, pois se identificava o problema e se observava passivamente o que o corpo faria, sem nenhum tipo de intervenção ou desafio para o corpo tentar aprender.

“A nova era, hoje o que muda é que a gente não vai ficar só passivo, a gente quer saber como o corpo tá agindo, a gente quer saber se ele já aprendeu alguma coisa, a gente pode ensinar o corpo também, e aí uma evolução que é bem mais recente é que a gente pode usar medicações que ajustam determinadas partes que estão desreguladas desse sistema imune. E esse é mais novo, bem mais novo mesmo, dos últimos 2, 3 anos pra cá que a gente tem estudos com resultados. Algumas dessas medicações ainda não estão nem aprovadas para uso no Brasil, mas é uma nova era que a gente chama de imunobiológicos, que são medicações que podem ajudar o sistema imune.” Ariana Yang

 

Quando perguntada sobre o dispositivo de adrenalina auto injetável, que também é uma medicação que ainda não chegou no Brasil e que é utilizada para reações alérgicas graves, Dra. Ariana disse que isso é uma frustração para todos os profissionais que trabalham com alergia alimentar e muito maior ainda para as famílias que precisam do dispositivo e têm uma dificuldade enorme de acesso aqui no país. Ela disse ainda: “aqui o nosso papel não é encontrar culpados porque é uma questão bastante complexa. A medicação é muito simples, muito conhecida e muito barata, mas o dispositivo precisa ter a capacidade de armazenar o remédio. A adrenalina é um medicamento sensível a luz. Ela degrada com a luz, então a medicação tem que permanecer estável, então não é pegar a medicação e colocar em um dispositivo qualquer, precisa ter um dispositivo próprio e já existe.”

Segundo ela, a medicação não está no Brasil porque as empresas que produziram esses dispositivos, não têm representante no Brasil, mas elas poderiam trazer ou empresas daqui poderiam fazer parceria para termos, mas há uma regulamentação brasileira que exige um estudo de estabilidade da medicação em temperaturas tropicais, pois a estabilidade foi estudada para climas de países temperados e no nosso país temos regiões em que a temperatura ambiente chega a 40ºC.

“Em relação a temperatura a gente nem tem tanta preocupação, mas há essa exigência técnica de um estudo para países tropicais e isso envolve um custo, porque a gente não tem estudo epidemiológico no Brasil pra dizer qual a porcentagem da população precisaria desse dispositivo aqui para justificar um apelo comercial para as empresas se interessarem para usarem nosso mercado para vender a caneta de adrenalina (dispositivo auto injetável), então infelizmente a curto prazo eu não vejo perspectiva de termos nenhum dispositivo de adrenalina pro nosso país.” Disse ela.

Porém, há outras alternativas em andamento e que trazem esperança, segundo a médica, pois no congresso em que esteve, outras formas mais fáceis foram apresentadas, como a forma sublingual e o spray nasal, que deverá ser lançado nos Estados Unidos no meio desse ano e que talvez por ter investimento de lançamento, no futuro chegue aqui no Brasil.

Enfim, sabe-se que nem todo alérgico alimentar tem indicação da caneta de adrenalina, mas para aqueles que têm, é como kit de primeiros socorros e pode salvar vidas.